Apetecia-me ir ali a Barcelona ver as Artes, num pulinho. Também me apetecia espreitar Paris de soslaio, mas a ideia de sair de casa e aventurar-me nas lides das rendas atormenta-me a alma e a carteira. vazia, vazia. Apetecia-me mudar o rumo deste blogue, parar de escrever sobre sentimentos porque, esses, já os tenho a todos no sítio certo do canto da minha pessoa. Apetecia-me jantar Pizza e beber cerveja pelo gargalo da garrafa dentro do carro com vista para a Ponte e para o rio Tejo mas, isso, já o fiz a semana passada. Apetecia-me era mais. Também me apetece inventar receitas, conquistar pelo estômago e ser dona de casa com pinta. Apetecia-me uma cozinha grande, chão negro, móveis em madeira, pedra mármore escura, mesa grande no meio, cadeiras para dois. Apetecia-me começar a escrever um livro mas as cabras das histórias nunca arrancam à velocidade certa. Apeteciam-me projectos novos, ideias novas e meter-me noutro mundo que não o meu, o do conforto. Já não me apetece o conforto. Apetece-me sentir o apetite por uma carreira que me passou ao lado mas que sempre me piscou o olho. Apetece-me vinho tinto, copo largo, para respirar. Apetece-me o Mundo inteiro e eu sem sair do lugar.